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sábado, agosto 14, 2010

segunda-feira, maio 10, 2010

A certeza

Sei que sou, pois sou. Existo, digo para que fique assim esclarecido. Sou aquele de suas características vãs, um quanto de sólidas. Sou. Sou porque sou e nunca o deixarei de ser. Sou porque,... Acredito e tenho a certeza! Sou porque sou são, de corpo e de certo que de mente, caso contrário não o seria: são que sou. E porque preciso de ser? Porque outrém não o poderia ser, não o poderia acreditar. Sei que sei. Que sei que nasço e desabrucho para acreditar, que caso contrário não o saberia que sei e quem seria eu então afinal? Não seria! Mas não eu! Eu não, que quero ser e para sempre serei!

Sim! Ora essa! Mas que questão parva vem a ser essa que se me impõe por entre de mim para mim!? Que ousadia?! Eu tenho a certeza que sei! Que sei que sou!

Sei, também, que sou eu. De mim para mim, numa imensidão que poderá mesmo resumir-se essa a nada. Sei que só poderei realmente saber de certeza esta que de mim para mim falo, para mim. Sei que sou eu e ninguém mais ousarei ou poderei ser! Sim, eu sei-o! Admito-o! Contudo acredito! Sim, eu acredito! Mesmo sendo eu, de mim para mim, como quem se namora numa distância imenssa impossível de medir nessa condição mística, que, contudo, se junta num único fugáz movimento.

Sei que sou, mesmo que só eu o possa saber. De certezas outras não preciso, pois eu em mim jámais desacreditarei! Não, não o posso fazer! Enviar-me a mim para o abismo? Ao precipício? Cair no eterno, tão, tão sómente só. De nada se compõe já que é solidão pura, que de certeza, pois claro, carece. Quase que chora por certeza. Num grito ruin que vem da entranha da criança que viu nascer que agora teme por morrer, só. Que é adulto na sua infância eterna, mas que, contudo, não faz vencer, que não se engana forte o suficiente! O quanto é preciso para que se forge nos calabouços desse abismo que para mim não quero, a certeza.

Se é para ser eterno, se é para o ser sozinho, que seja com a companhia da certeza.

segunda-feira, abril 26, 2010

Valete - Roleta Russa

A destruição iminente do amor

Faz-me rir! Oh, sim, se faz. Rio-me uma vez, rio-me duas e porque não se não há mesmo duas sem três? Rio-me porque rir faz bem! Quem não ri afinal? Todos nos rimos e ainda mais eu! Eu que me rio do obsoleto. Não, não me rio de vaidade pois rio-me de mim mesmo, admito-o. Não o digo para que assim me proteja, o digo porque assim o é já que não consigo escapar à pele.

Amor. Esse amor que se começa a amar pelo globo ocular. Que de súbito desce aos calabouços do ser, cai no precipício de alma para que com toda a sua iminência venha ao de cima para trazer um fulgoroso estrondo para que caia-mos em nós próprios, para que deixemos de ser nós próprios para dar algo à fuga do ser, que foge por amor. Que já não é nosso, não é de ninguém, pois de ninguém deverá ser o sentimento. E se fosse?

Se houvesse esse que ninguém fala, que todos o deixam no sótão do esquecimento que poderia ser eterno. Mas eterno não, que eu não o deixo. E se houvesse ele? O que seria do nosso ser se ele dissesse que guardava todos os sentimentos num livro escrito à mão que fora pela sua, não doutrém. Lho digo eu que iria desfolhar o livro fervorosamente, galopando forte por entre as páginas como que se o amanhã demorasse a chegar. Sim, estou certo de que o faria assim que eu ousasse dizer-lho sussurrando ao ouvido: "A verdade, mesmo que escassa e supérfula, ínfima essa atrevo-me, é que tu, tu nada sabes sobre o que sabes quando de sentimento te evoco. Sentes para que sintas, para que fujas ao que não sabes e não queres verdadeiramente conhecer, porque te agrada, te enche de prazer. Dele precisas, dele não queres abdicar. Por isso mesmo, o evitas conhecer."

Já to disseram e nunca o levaste a sério. O que vês hoje foi uma sucessão de acontecimentos que de ti nem um pestanejar precisou. De nada tu fizeste parte para que estejas aqui hoje. E to digo eu, que de nada de ti precisas para amar. To digo que o que começa no globo ocular e passa para as entranhas do teu ser de nada de ti precisa.

Da mesma forma que escolhes a maça mais bela de toda a macieira para que a comas, mesmo com a tua ausência do questionar que, no fundo, te domina, também o mesmo acontece com aquele que amas. Pois é o mais belo do pomar que alcanças e assim o que te trouxe aqui hoje, de que nem um pestanejar teu precisou, mais uma vez te nega e despreza para que outros venham depois de ti. Fazendo de ti uma marioneta que não consegue ver os próprios cordéis.

segunda-feira, abril 19, 2010

A incerteza do imortal

Desmonto-me. Destruo-me para que me possa reconstruir. Desactivo-me para que possa reactivar na finta do desolhar e desacreditar. Descomplexo-me à mais básica forma de ser dentro do ser que sou por ser. Desconcentro-me de forma tal que movimentos carecem de qualquer previsão. E então reencontro-me. Forte, na fraqueza encontrada na fuga de ser. Leio-me naquilo em que nada deverá estar escrito. Mas tenho fé, acredito para que oriente o que reste daquilo que não devastei por inteiro. Para que chegue longe, mais longe, para que chegue, chegue a algo. Contudo será que esse é o fim do destino? Será algo demasiado consistente para quem caminhou vazio a passo largo? Contudo chego. Contemplo. Acaricio ao ritmo que vou expurgando, cinza.

A vitória que corre então nas veias é inexplicável, que doutra forma vitoria não o poderá ser. Contento-me com a inexistência de contentamento. Forte na carência que nada preenche. Nada, eu assim o quero por alcançar o não querer. Mesmo sem sabendo se o alcancei, não choro. Não preencho. Rio. Sem satisfação alguma. Seriedade num desentrelaçar dos movimentos de um bobo.

Plenitude.

Contudo temo. Por mim e pelo que vou deixando de ser para um outro ser. Temo a metamorfose que se rege pelas suas leis em que nada posso. Questiono-me então:

Será uma sanidade imortal?